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segunda-feira, 16 de março de 2015

Opinião - As manifestações de 15 de Março de 2105 marcaram o fim do ciclo do presidencialismo de coalizão que começou em 1984 com “Nova República”.

Por Ricardo Kotscho

Acabei de participar há pouco de um Jornal da Record News especial, ao lado de Heródoto Barbeiro, Nirlando Beirão e Aldo Fornazieri, em que apresentamos um resumo e comentamos os principais fatos e desdobramentos deste dia 15 de março de 2015, quando 1,5 milhão de brasileiros foram às ruas para protestar contra o governo de Dilma Rousseff, marcando um divisor de águas na nossa vida política.
Ao sair de casa, na confusão da região próxima à avenida Paulista, fui abalroado por um carro que vinha na contramão e ficou em cima do meu pé. Eu sei que vocês não tem nada com isso, mas preciso explicar o motivo deste texto atrasado, ligeiro e breve que publico abaixo.
Na abertura do programa, ouvimos o pronunciamento e a entrevista coletiva concedidos no final da tarde pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso, e da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, em nome da presidente, que passou a tarde reunida com seu gabinete de crise no Palácio da Alvorada.
Não queria estar na pele deles. Ficou claro que o governo não tem mais nada de novo para dizer diante do tamanho da crise e das manifestações que duraram o dia todo, em todas as regiões do país. E quem é contra o governo não tem mais paciência para ouvir. Tanto que, bem na hora em que eles começaram a falar, começou outro panelaço em várias cidades do país.
Ficou claro no dia de hoje que está terminando mais um ciclo político no Brasil, o da Nova República, a do chamado presidencialismo de coalização. A corda está arrebentando por todo lado e parece que o governo federal e o Congresso Nacional ainda não se deram conta da gravidade do momento que estamos vivendo.
Foi também num dia 15 de março, exatamente 30 anos atrás, que comemoramos o fim da ditadura, com a posse que deveria ser de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil pós-64, e que acabou sendo de José Sarney, que deu início ao ciclo.
O divisor de águas entre a ditadura e a democracia tinha sido a campanha das Diretas Já, em 1984. O último governo militar ainda se arrastou até o ano seguinte, mas o seu ciclo havia terminado.
A grande diferença entre estes dois 15 de março que ficarão na história é que, desta vez, não sabemos o que virá depois. Ao contrário de 1984, hoje não temos partidos nem lideranças políticas capazes de comandar o processo, nem a menor ideia do que acontecerá amanhã, nem depois de amanhã.
Pelas falas de Cardozo e Rossetto, ficamos com a impressão de que o governo Dilma esgotou sua munição e já não sabe mais o que fazer para acalmar as massas. Os dois falaram novamente em diálogo, que a presidente anunciou no dia da sua reeleição e até agora não colocou em prática nem dentro da própria base aliada, no pacote anticorrupção, prometido ainda durante a campanha eleitoral, na reforma política e no fim do financiamento privado.
Acontece que tudo isso já foi falado antes, e não se mostrou capaz de apontar horizontes nem devolver esperanças. Quem ainda quer diálogo com um governo sem rumo nem norte? Quem acredita em pacotes, sejam fiscais ou de combate à corrupção?
Reforma política depende dos políticos, muitos deles investigados na Lista do Janot. Os poderosos Gilmar Mendes, ministro do STF, que não devolve o processo, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já anunciaram que, por eles, o financiamento privado de campanhas, que está na raiz de todas as corrupções, nunca vai acabar.
É este o resumo da opera.
Vida que segue.


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